Veja o invisível e saberá sobre o que escrever...

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Location: Fortaleza, Ceará, Brazil

Friday, August 25, 2006

Solidão, estúpida solidão
Eu não sou merecedora de ti
Tua ignorância me corrói
Tua escuridão toma minha alma, fecha meus olhos

Noite fria
Tua frieza congela meus ossos
Tua dureza quebra meus sonhos
Frio penetrante
Estou perdida em sórdidos pensamentos

Fantasias inúteis

Sozinha, procuro-te
Meu amado, minha salvação
Que tão pesado fardo ponho em teus ombros
Que dor tão pungente finjo não sentir
Meu sorriso perdeu-se no tempo
Hoje, tornou-se pecado

Sinto-me vazia, sozinha
Corro cegamente para ti, minhas pernas não levantam do chão
Não o encontro, não me conformo
Quero lutar, preciso de ti
Minha respiração some, já não a sinto mais
Por favor, respire em mim, respire por mim

A noite que não cessa
O dia que não quero ver chegar
A vida que não muda
E, tampouco acaba
Solidão temível, amiga
Companheira fiel, indesejada
A esperança agonizante, infantil
A ilusão de uma dor recompensada pelo teu secreto amor

Acredita, grande tola
Acredita e vive
Vive para crer que nada foi em vão
Amar-te não foi pecado
Muito menos perdição
Acredito para dar-me motivo
Vivo por ti

E, em ti, não existo.

Juliana Karla

Você me tocou
Eu sou tua
Meu corpo padece nos teus carinhos
Minha respiração ofegante e difícil
Sinto o teu ar e somente ele consigo respirar

Meu lábios se perdem nos teus
Dentro de mim, redentora dor
Meu corpo suplica pelo teu
Somos um, meu amor

Escrito, destino, acaso
Sou tua, és meu
Dentro de mim

No espaço tão pequeno de mim, crescestes
No espaço tão pequeno de ti, me fiz gigante
No espaço tão pequeno de nós
No infinito espaço de nós

Juliana Karla

Lua Cheia
Potente, intocável
Carrega-me contigo
Lua, sobre o mar, absoluta

As ondas fogem de ti
De teu luar mortífero
Para os medíocres de alma
Para os pobres de desejo

Não me perguntes nada
Tampouco tentes entender-me
Apenas permita-me tua companhia
De cima, jamais olharei para baixo
Na frente, jamais olharei para trás

Meu grito silencioso explode na noite
O que parece loucura é apenas dor
O que parece drama é apenas solidão
O que parece exagero é somente indecisão

Juliana Karla

Thursday, April 13, 2006

Lua
Tu reinas absoluta
Teu poder cega de inveja
Aqueles que teu brilho em vão almejam

Lua
Tu fazes parte de mim
Perdida em ti encontro minha alma, meus versos
Em teu verdadeiro e incorruptível reino
Sou tua princesa

Em teus braços
Minha vida encontra sentido
Minha loucura torna-se sã
Meu amor, verdadeiro
Em meus versos
Tua existência torna-se real

Brilha gigantesca Lua no céu
Intercede por mim junto ao Criador
Para que a graça de vê-la me seja eterna
Em minha mente carregarei sempre
Esta imagem imaculada
Que somente na escuridão é revelada

Juliana Karla

Dois dias
Eternidade pungente
Nada escrito
Um recado apagado

Toca telefone aflito
E traz me à vida
Dá-me força para não contagiar
Tua confiante calma
Com a minha loucura cega e desesperada

Liga, meu amor
Procura por mim
Acha-me em teus sonhos
Para que o meu medo
Encontre seu fim
E desepareça, a distância

Juliana Karla

Friday, April 07, 2006

Em teus olhos
Minha inocência
Em tua boca
Meu pecado
Em teu corpo
Minha perdição
Minha redenção

Emudece-me com teu olhar
Protege-me em teu peito
Encosta tua cabeça no meu ombro
E traz o paraíso para o meu espírito
Há muito preso no Nirvana

Amor incondicional
Sentimento conquistado
Pára tempo
Surge lua e envolve-nos com teu brilho
Corre tempo
Vai-te sol
Acaba com a agonia
Desta contagem regressiva

Juliana Karla

O meu navio
atracou no meu porto
Era setembro
O meu navio
Me levaria embora
Era um sonho

Iria embora de tudo
Da dor, da solidão
Da rejeição, das pessoas
Iria embora de mim, de você
Sem destino ou lugar conhecido

Começaria tudo de novo
Viveria tudo novo
Mas, meu navio foi embora
Levando consigo um pedaço de mim
Assim como fez você
No dia em que também
Resolveu partir

Juliana Karla

Se você pudesse me ver
Se essa visão te fizesse feliz
E em seu mundo, eu coubesse
Se eu pudesse entender
Se essa compreensão me fizesse esquecer
Se eu perdesse a coragem de voar
Meu pranto estaria vazio
Minha vida, completa
Minha luta, real

Beija-me
Teu beijo desfalecido e seco
Suga de meu corpo a réstia de vida
Que a esperança de tê-lo me trouxe
Como uma fonte imaculada, pura
Na escuridão desta realidade pérfida

Uma era de sonhos
Perdida no instante
De um despertar repentino
A violenta velocidade
De meu espírito em queda livre
Enquanto meu corpo permanece inerte
No momento em que racionalmente
Você constatou minha total imperfeição

Minha alma se perde
Numa busca tola por sinais
Que só são nítidos para meus olhos
No teu olhar
Procuro minha absolvição
A redenção de um pecado
Imperdoável e eterno
Pois amar-te irei até o fim dos tempos
E tua, para sempre serei

Juliana Karla

Eu odeio você
Odeio seu jeito de me olhar
Odeio seu jeito único de falar
Odeio seu jeito manso de andar
Eu odeio essencialmente não poder odiar você

Eu odeio sentir sua falta
Odeio desejar você
Odeio pensar em você
Eu odeio principalmente não poder te esquecer

Eu odeio o tempo
Odeio a distância
Odeio a minha fraqueza
E a tua indiferença
Eu odeio exclusivamente não poder me convencer de que ficaria melhor sem você

Eu odeio não te ver
Odeio não ouvir você
Odeio não te tocar
Eu odeio especialmente não saber se você me odeia o tanto quanto eu odeio você

Juliana Karla

Oh my love for the first time in my life
How could you leave me?
How could you walk away
From everything that once I believed in?

Oh my love
All you had to do was follow me
And never let go my hand
But this was too much to ask
In your fear you looked back

No, I don't think you were affraid
This thought is just another way to fool myself
To get away from the reality
To hide myself in the darkness of my stupid dreams
How could you leave me?
I never had you
How could you walk away?
You were never there
Then why I keep myself stuck in here? just why?
Because I loved you and I still do

Juliana Karla

Reflexões de uma mente confusa

As pessoas, maravilhosa invenção divina. Mais engenhosa e despropositada arquitetura, a humanidade. Lembra essas construções enormes cuja função é impressionar, estabelecer hierarquias e determinar poderes. Levam séculos para serem pensadas, anos para serem projetadas e construídas, segundos para serem destruídas. A quem será que Deus queria impressionar com um feito de tamanha magnitude? O vai-e-vem de pessoas é constante da onde eu vejo. São duas horas da tarde, sai de casa com o intuito de ir ao cinema e acabei aqui, sentada numa mesa quase que escondida observando tudo que acontece ao me redor e me sentindo alheia a todo e qualquer acontecimento. Cada pessoa segue o seu caminho, dificilmente alguém olha para o lado e quando o faz parece não perceber nada, talvez não tenha tempo. Será que Deus criou o tempo ou será que Ele, assim como eu, o repudia? Eu gosto de acreditar em seu repudio. Acho que o tempo foi uma invenção do demônio patenteada pelo homem e por causa do livre-arbítrio, Deus nada pôde fazer? Não gosto de pensar em Deus como um ser de superioridade infinita, temível e distante de mim. Acredito em Sua justiça sem duvidar de Sua extrema compaixão por aqueles que erram feio e bastante. Prefiro acreditar em Sua capacidade de compreensão a temer o Seu implacável julgamento.

O tempo passa, as pessoas passam. De repente, um menino esbarra em mim, ao se desculpar ele diz algo que cala o meu "não tem problema!", ele diz: "Eu não vi você!". Acredito de verdade no que disse, o menino fez sua afirmação de maneira tão enfática como se quisesse me convencer de que a culpa do acidente era minha por não me fazer notar. Com um sorriso mudo, concordo com ele. Talvez seja responsabilidade minha, eu ser invisível. Passado algum tempo, continuo sentada no mesmo lugar de que quando comecei a escrever. Não sei se estou pensando, mas algo quebra o meu ostracismo. Um homem senta-se à mesa e para olhando para mim, eu o olho de volta. Percebendo que nada vou falar, ele diz: "Você é linda". Não penso numa resposta e nem em sua frase. Ele repete: "Você é linda, sabia?". Sua segunda versão me força a dar-lhe uma resposta. Agora, de fato, penso em algo para respondê-lo. Mas, naquele momento o silêncio é a única coisa inteligente que me ocorre. Talvez se ele disser uma terceira vez, ele me convença de que o que diz é verdade e assim saberei o que dizer. Contudo, ele desiste de repetir, assim como há muito tempo desisti de tentar acreditar, levanta-se e vai embora. Infelizmente, constato que não sou invisível e levanto uma nova hipótese, as pessoas só vêem aquilo o que querem ver.

Na mesa ao lado está um casal de namorados, eles estão conversando. Ele tenta incansavelmente convence-la de que gosta dela, mas se perde ao prestar mais atenção na loirinha tomando sorvete de que em suas palavras. A namorada percebe (como alguém pode se distrair ao jurar amor eterno a alguém?), ele não percebe que ela percebeu, ela percebe que eu percebi e num sorriso pungente, mas vitorioso de quem dessa vez escapou, ela se levanta e vai embora. Ele não entende o porquê dela ter ido, porém parece não saber se segue à namorada ou se continua a realizar-se naquele sorvete. Resultado: ele vai atrás da namorada. "Você precisa de alguém que te dê segurança, senão você dança.", esse foi seu último pensamento antes de deixar a mesa, também será o primeiro pensamento dela ao dar-lhe um fora e o seu pior esquecimento ao aceita-lo de volta. Mas, existe alguém totalmente seguro? E seguro de quê? Da solidão, da traição, da dor? Por que você precisa de alguém que te dê segurança e por que essa segurança tem que estar numa outra pessoa? Hipótese, talvez passar a vida à procura de algo que nunca vai encontrar dê à humanidade um eterno motivo para viver.

Está bom de ficar sentada, resolvi andar um pouco. Passei em frente a uma livraria, meu aniversário é domingo, queria me dar algo, algo que fosse especifico meu, que só servisse para mim Sei o que quero ganhar, mas não queria precisar dizer. É engraçado como uma pessoa que não gosta de contar tempo, goste de seu aniversário, que é a comemoração da passagem dele. Vou fazer 21 anos de existência que podem ser resumir em 21 minutos. Não é tão deprimente o quanto parece, vivo intensamente tudo o que quero viver e sou feliz à minha maneira no meu mundo. Um homem acabou de derrubar o celular, o eco do shopping triplicou o barulho, mas ninguém se vira para olhar. Nada pode atrapalhar, as pessoas que parecem acreditar apenas em sua própria existência. No que ele vinha pensando quando o aparelho caiu? No que ele deve estar pensando agora olhando as peças espalhadas pelo chão? Eu gosto disso, gosto de adivinhar o que as pessoas estão pensando ou o que vão dizer. Na minha frente, uma mulher come sozinha, ela apenas come. Não parece estar pensando em nada. Ela viu que eu a observo e percebe, depois de algum tempo, o caderno sobre a mesa. A mulher já não me olha mais do mesmo jeito, eu tenho vontade de sorrir para ela, mas não me dá tempo e nem liberdade, apenas engole e se retira. Ao ir embora, passa por trás da minha mesa na esperança de ver o que estou escrevendo, mas eu a percebi antes que conseguisse seu intuito. Ela se conforma e finge não se importar. Por que ela tinha que fingir não se importar? Talvez se tivesse se sentado comigo à mesa e me perguntado, eu tivesse respondido. Por que tenho que fingir que não me importa que você esteja num motel fazendo sabe-se lá o quê, sabe-se lá com quem, quando tudo o que eu queria era que você quisesse que eu estivesse lá com você? Talvez se eu o perguntasse, você me respondesse, mas o problema esta no que você me responderia, pelo menos assim eu tenho o beneficio da dúvida. Talvez seja por isso que muita pouca gente diz o que pensa. È bem mais simples do que se pensa, eu gosto de você independente do que você sente por mim. Gosto de você não porque você gosta de mim, mas porque gosto de você. Por isso te digo e não tenho porque esconder. Contudo, entendo porque as pessoas não dizem. O amor dá poder ao amado e quem ama se encontra nas mãos de uma outra pessoa e isso o torna inferior diante daquele que se ama. O amor transformado em lógica, em objeto de manipulação, por isso existe o medo de demonstrar tal sentimento. Por que a negação do amor? Hipótese: É melhor a morte do que se entregar tão completamente nas mãos de uma outra pessoa, talvez ela aja exatamente como você age ou agiria.

Eu formulo minhas hipóteses e o mundo parece não se mexer. As pessoas cuidam de suas próprias vidas, não reparam em mim ao observá-las. Umas parecem tristes, outras felizes. Nesse momento em algum lugar do mundo nasce uma pessoa, no mesmo instante uma outra se mata e nada muda, nada parece alterar a inatingível trajetória da humanidade. Eu gostaria que mudasse, gostaria de acordar um dia e o mundo não fosse mais o mesmo lugar que era quando fui dormir. Será que isso faz de mim uma fugitiva? Enquanto a maioria da população dorme tarde e acorda cedo, eu durmo cedo e acordo tarde. Porque todo mundo parece gostar de viver, de passar mais tempo acordado desfrutando da realidade de um mundo que eu tanto desprezo? Uma criança acaba de entrar e percebe o resto do lanche de uma senhora, ela vai à mesa e o pega, a garçonete quer impedi-la, mas segura o impulso. Num gesto de gratidão a menina sorri, num gesto de compaixão ou medo a garçonete finge não vê-la, pois sabe que o patrão viu e mais tarde a repreenderá. Ela não percebe que eu a observo e tampouco sabe que seu gesto me faz ainda ter fé nas pessoas. Num gesto de respeito e honraria, eu deixo o lugar e sorrio para ela, ela retribui o sorriso, mas não sabe por quê. O costume a obriga a agir daquela forma, a maquilagem esconde a feiúra e o medo, a idade e a tristeza, o cansaço e a dor. A minha mente viaja nesse pensamento, as pessoas me lembram os palhaços com seus sorrisos desenhados no rosto para mostrar que estão sempre bem, para esconder do público a sua alma. Mas, se todo carnaval tem seu fim, quem estará preparado para se mostrar e para enxergar ao seu redor quando a pintura sair? Segundos depois de escrever essa frase, me dou conta de que não sou um palhaço, porém me pego desejando ser e pela primeira vez na vida sinto raiva por não conseguir ser igual a todo mundo.

De repente, não estou mais sozinha em minhas observações. Um garoto olha pra mim exibindo a curiosidade que antes era só minha e que me tornava especial. Será que ele vê o que eu vejo? Será que ele se sente da mesma maneira? Eu tenho vontade de perguntá-lo, mas acho que a mãe dele me acharia louca e fico na minha. Agora, são seis horas da tarde, engulo todas as minhas vontades e ligo para meu pai. Fecho meu caderno e me levanto, agora penso se vou dizer ou não que não fui ao cinema, numa boa desculpa para justificar o atraso, numa maneira de obrigar meu irmão a ir buscar a pizza para o jantar, mas penso antes de tudo em ir para o meu quarto, trancar a porta tanto a dele como a minha, e ali, finalmente, me encontrar fora do mundo das pessoas e dentro do meu. Antes de me desligar totalmente de mim penso numa última coisa que me faz rir, será que eu não sou uma pessoa ou será que toda pessoa tem seu próprio quarto assim como eu?

Juliana Karla

Vida rápida
Velocidade cega
De quem não sabe aonde vai

Vida injusta
Mundo doente
Morte aos inocentes!
Inocentes?
E quem são os culpados?

A maldade corre solta
E a morte nos assombra
Assombra nosso destino
Nosso paraiso

Vida hipócrita
Mundo sem lógica
Julgam os diferentes
Mas quem são os iguais?
Calem-se juizes hipócritas
Que das pessoas nada sabem
Então como as condenam?
Vocês não perderam os valores da vida
Pois jamais os tiveram
Vão embora e me deixem em paz

Fugirei sim da realidade
E fantasiarei, sonharei, amarei
Enquanto vocês, realistas medíocres
Se encolhem e choram
Choram com pena de si mesmos
Por não saber sonhar
Por não saber viver
Por não saber fugir

Juliana Karla

O espelho reflete a minha imagem
Não posso vê-la
Não suportaria tamanha dor
Viver em segredo
Sob o véu escuro do medo
Transformando a juventude tão bela
Numa agonia eterna

Queria perder-me no mundo
Num mundo sem espelho
Onde jamais viveria a realidade
Dessa cruel imagem
Enterro-me na infância
Tempo eterno de inocência santa
Sonhando com um futuro distante
E abafado pela covardia
Que de tanto voltar no tempo
Não me permitiu seguir adiante

Juliana Karla

Dia que não acaba
Noite torturante
Tento dormir
Mas não suporto sonhar
Quero esquecer
Mas não consigo escapar

Tuas palavras me perseguem
Tua sombra me domina
Fecho os olhos pra te ver
Aonde estarás?
Por que não vens me encontrar?

Saudade terrorista
Medo torturante
Madrugada lenta
A televisão me consola

Surge sol
Queima o céu
Some lua ingrata
Que testemunha calada, inerte
A minha dor
A minha agonia

Quero dormir
Quero apagar você de mim
Quero não mais pensar
Quero não mais sofrer

Aos poucos vou me deitando
A cama que era de espinhos
Agora me conforta
O sonho agoniante
Agora me transporta para o meu mundo
Para o meu lugar

Vou sonhar contigo
Desejando jamais acordar
Ignorando conselhos, sermões
Tempo e medo
Até que um dia
Quando já não mais puder evitar
A realidade me despertará

Juliana Karla

"A ta" "A ta" "A ta"
Palavras que não saem de minha mente
Palavras mortíferas
Frase maldita
"A ta"
Traumatizante,
Espontâneo,
Indiferente
A dor que agora me consome é infinita

Tantos planos,
Ilusões ainda nítidas
Desperdiçadas,
Flageladas em tuas cruéis palavras

Em poucos segundos,
Em três letras arrancastes de meu peito a vida
Minha alegria corre desesperada para algum lugar
Algum lugar que temo jamais encontrar
Como seguir?
Como esquecer?
Como aceitar que você se vá?

Depois de te ter não posso
Conceber a idéia de te perder
Inútil esperança
Árdua espera
Fantasias e fantasias
Em duas palavras
Em duas vazias palavras
completamente destruidas

Não quero ser mais uma
Quero ser tua, única
Espero a hora
O momento de te ouvir dizer
Espero porque preciso
Porque te amo
E você em duas palavras,
Três letras destroe a minha alma
Assassina o meu sonho

Juliana Karla

Quem eu sou?
Em que me tornei?
Quem ainda serei?
O tempo passou, carolina
Você não viu, não viveu

O encanto se foi
A beleza jamais chegou
Pensamentos sem lógica
Tudo é sentido
A irracionalidade aflora
Nada é medido

Perdida nesse mundo louco
Maldita gravidade que me prende aqui
Qual a condição para viver?
para existir?
para sorrir?

Lua, minha lua
Na escuridão reinas absoluta
Teu reino, minha utopia
Nada se tem
Nada se é

Ah! Deusa Lua
Eis aqui tua eterna súdita
Não me diga o que fazer
Ou o que me é pernitido dizer
Aonde você for apenas me leve contigo
No teu escuro encontrei a luz
E libertarei minha alma
No teu esconderijo está o meu destino
Serei nada mais que livre
Sem conceitos
Sem limites
Sem medo
Sem razão
Sem tempo

Juliana Karla

Eterno

Léguas e léguas distantes
Mas, sua essência tão perto
Sua voz me leva ao paraíso
Em suas palavras me perco
E de repente me encontro
N0um sorriso sem sentido

Meu amor, te quero tanto
Que não há palavras
Não existem meios
Só a força de minha alma
Que se transporta pra perto de ti
E guia seus passos, seus pensamentos até mim

Queria te fazer entender
Queria eu saber te explicar
A grandeza de meus sentimentos
Será que você sente o mesmo?
Será que pensa em mim?
A lembrança de seu sorriso
De seu toque
preenche o vazio da distância em mim
E me leva a crêr que no mundo só há tu

Me perderei em meus pensamentos
Esperando fazer parte dos seus
E enquanto o tempo não passa contarei as horas, os segundos, os minutos
Para te ter novamente em meus braços
E o tornarei prisioneiro de minha realidade fantasiada
Que na sua existência é centrada

Juliana Karla

Tentar viver
Tentar falar
Tentar ser
Quem se importa?
Quem te ouve?
Quem és?

Vida
Abismo solitário
Vida desiludida
Borboletas negras no escuro
Não são vistas
No claro, mortas

Para onde ir?
Em quem se esconder?
Como desaparecer?
Pensamentos tolos, consumistas
No mais fundo da alma gritam
Aqui fora, jamais serão ouvidos
Ou sequer ditos

Juliana Karla

Sentar, pensar, ler
Encontrar palavras complicadas para dizer
O que é tão simples de entender

Minha alma vaga
Minha mente voa
Eterna procura
Que jamais vai te encontrar

O fogo dos meus pensamentos
Consome meu corpo
Pensar em você não é doloroso
Nostálgico, talvez
Pela fantasia de te ter vou viver
O pecado de amar-te
Cuja absolvição jamais vou obter

Juliana Karla

Eu queria encontrar você
Procurei insistente
Eu queria ter você
Desejei eternamente
Eu queria viver por você
Morri sete vezes

Busca tola
Ida impensada
Volta vazia
Subida inesperada
Queda brutal

Busca necessária
Beleza inconstestável
Seus olhos, meus olhos
Amor idealizado, eterno
Corrompido pela tua razão
Preso na minha imaginação
Esquecido na tua realidade
Sublime na minha saudade

Juliana Karla

Brilha o sol
Na imensidão do céu Astro
Rei Reina absoluto, perfeito

Brilha a lua
Apagada e quieta
Quase imperceptível, quase
Pura e inocente
Não é perfeita, mas inconstante

Cega-me sol
Com teu brilho intenso e arrogante
Carrega-me lua
Para o teu paraíso escuro
Aonde perdidas para sempre estaremos
Viveremos cegas, incontantes
Sem reis, sem ordens, sem medo.

Juliana Karla

Eu queria não pensar em você
Queria ser sozinha
E sozinha me bastar
Eu queria não ter medo
Medo de te dizer o que significa pra mim ter você
Eu queria que você surgisse do nada ou do tudo
De qualquer maneira
Sem definições, sem entender
E ocupasse em mim o que é vazio sem você

Vem, não me deixa aqui a mercê desses pensamentos duvidosos
Dúvidas que matam, desiludem
Vem pra perto de mim
E já não seremos mais sozinhos
Teremos a utopia da felicidade
Em toda a sua ingenuidade

Se em algum momento você duvidar
Olha pra mim
Segura na minha mão
E eu te trago de volta
De volta pra mim
Eu queria que você soubesse disso
Que chegasse aos seus ouvidos os meus mudos gritos
Que você decifrasse os meus secretos apelos
Pois, de outro jeito não sei dizer
Que amo você

Juliana Karla

Meu Amor, meu anjo
Meu destino, minha razão
Minhas palavras somem
O meu sorriso infantil traduz a felicidade de estar ao teu lado
Meus lábios se perdem nos teus
E pela primeira vez faço parte de ti

Meu menino, meu protetor
Meus braços agarram teu corpo
Minhas mãos se perdem nos teus cabelos e se encontram no teu peito
Minha mente voa
Nas consequências, já não penso mais
Por um momento
O nosso momento
Você é meu

A minha alma se liberta
O meu corpo te deseja
Meu cérebro procura um meio de manter-nos para sempre aqui
Meu coração te ama como jamais amou ou amará alguém

Ah! meu amor
Eterno será o nosso momento
Ainda que nos percamos na vida meu corpo terá de ti desejo
Meu coração amor
Meus lábios o teu beijo
O nosso primeiro beijo
O nosso eterno momento

Juliana Karla

Escrever

Escrever
Escrever sempre, escrever com raiva, chorando, sorrindo.
Escrever sentindo cada palavra.
Escrever o que não se pode dizer, o que a covardia me impede de revelar.
Escrever para libertar a alma, para extravasar o que a correria do dia-a-dia me joga constante e incessantemente.

Calma
Deixa-me pensar, deixa-me sofrer, deixa-me ser feliz e ser tudo isso de uma vez e sentir tudo até o fim.
Deixa-me cair e superar tudo o que eu quiser e tudo o que eu puder.
Não, eu não sou você. Não sei quem eu sou, mas sei que não sou você.
O tempo passa depressa me cobrando uma atitude, passando diante de meus olhos tudo aquilo que poderia ter sido, que poderia ser sido dito, que poderia ter sido vivido e que não foi.
Liberdade para viver, para ver o mundo com os meus olhos, para sentir os meus próprios sentimentos.

Quero ser meu relógio, ter o meu próprio tempo.
Quero registrar tudo, que escrever sobre mim, quero escrever sobre você, sobre o mundo, sobre o meu mundo.
Quero escrever sempre para me sentir bem, me sentir aliviada, me sentir vingada.
Vingada desse mundo injusto e indiferente, que me corrói as cordas vocais.
Quero ser eu mesma, mas não quero saber quem sou.
Quero viver, mas não quero sentir dor.
Quero que o tempo passe, mas não quero envelhecer.
Quero escrever o que o descaso do mundo não o deixa escutar
E o que a minha covardia não me permite dizer.

Juliana Karla

Saturday, January 14, 2006

A Love Letter

Sanidade, liberdade, boemia, destino, caminhos e você. Meus pensamentos se espalham pela minha mente e todos me levam a um caminho único de intenções, você. Eu queria antes de tudo procurar um título que definisse o que está sendo escrito e o primeiro que me veio à cabeça foi “A Love Letter”, mas o que é uma carta de amor de fato, o que é o amor? Senti a sua falta a noite toda e a cada música iniciada o vazio dentro de mim aumentava, como se meus braços perseguissem o teu corpo na escuridão da tua indiferença e na fraqueza de meus argumentos. O tempo parecia não passar e todas as oportunidades eram facilmente descartadas por uma mente dispersa ainda que sóbria. Infantil sobriedade daquele que tem medo de si mesmo, que mesmo desesperado alimenta a ilusão de que a falta de álcool lhe dar o controle da situação, ou talvez seja o medo de revelar-se diante de todos, quem sabe? Da cadeira onde estou sentada, meu celular me olha fixamente e minha mente persegue a necessidade insistente de ligar para você, de ouvir a tua voz. Levanto me devagar como se ensaiasse a casualidade que me fazia ligar e me pego rezando para que ao abrir o telefone encontre uma ligação tua ou uma mensagem indignada por até aquela hora ainda não ter ligado. Não, nenhuma ligação “não atendida”, nenhuma mensagem recebida. Controlo me para não chorar, para não gritar, para não cair e maldizer, no primeiro dia do ano, a minha infinita má sorte de não ser alguém que chamasse a sua atenção, que o enlouquecesse de saudade fazendo com que cada pensamento teu fosse meu. Talvez a banda parasse de tocar e todos sentiriam a minha dor, talvez chamassem um médico que curaria milagrosamente esta agonia que me corrói a alma, talvez a Lua acordasse brilhando tão intensamente sobre o mar que despertaria a sua atenção e o faria lembra de mim. Continuo parada, olhando para a minha redenção eletrônica, sinto o aparelho queimar na minha mão, e magicamente a bateria descarrega. Agora, de fato, dou o caso por encerrado, não vou ouvi-lo, talvez você ainda ligue, mas eu não me entregarei ao desejo desertor de me render a ti mais uma vez, por falta de vontade não, simplesmente pela escassez de oportunidade e excesso de orgulho.

Antes da meia noite, sentada no chão do meu quarto, eu vi tudo aquilo que poderia ter sido e que não foi, viajei por mais de uma hora sem perceber o desconforto do chão gelado, sem atentar para o fato que ainda estava de toalha enquanto minha mãe gritava freneticamente da sala que faltavam 15 minutos para o inicio do ano e meu pai observava atentamente a televisão mesmo que estivesse óbvio para qualquer um que ele não a assistia. Fazia um pouco mais de uma hora que a tristeza me bateu, o telefone da tua casa tocou, mas você não atendeu. Eu olhava atenta para minha mãe brincando com a tua irmã ao telefone, depois tua mãe, meu coração batia forte, minha vó pega o telefone e eu do outro lado da linha aguardava ansiosa o momento em que você pediria para falar comigo, mas você não pediu e sorrindo eu ouvi a ligação se desfazer ao mesmo tempo em que meu coração se quebrava em mil estilhaços, eu estava sorrindo ainda. Jamais caminhei por uma distância tão grande quanto do telefone para o meu quarto, onde me consolei por alguns instantes nos braços de Paulinho Moska, “Amanhã será um novo dia e certamente eu sei que eu vou ser mais feliz”. O mundo emudeceu-se diante de minha dor e em sinal de respeito A Lua se apagou. A ilusão do poeta é a esperança do mundo e naquele momento a minha agonizava dramaticamente. O Mar por um instante parou, As Estrelas desapareciam uma a uma, eu me levantei, mas não coloquei meus óculos, levantei a cabeça e novamente sorrindo abracei meus pais. “Feliz Ano Novo”, frase quase que automática, mas naquele instante eu dizia cada palavra, era tudo o que eu desejava, um ano novo, uma pessoa nova no lugar desta que eu mesma construí. Tentei jantar, um frio intenso gritava dentro de mim, voei para o meu quarto tinha que me arrumar para aquele que não era você, mas que estava esperando por mim. No caminho eu pensava em tanta coisa que é impossível escrever, tantos objetivos, levar a faculdade a sério, me esforçar para conseguir me tornar aquilo que eu quero, emagrecer, dormir menos, falar mais, viajar, sorrir mais, cantar mais, esquecer você. Meu Deus, eu preciso esquecer você, pelo menos até o dia em que você conseguir lembra de mim. Não, não encare isto como uma desistência minha, mas uma maneira de tornar suportável a falta que você me faz, a dor de assistir pacificamente à invasão dos meus sonhos por qualquer outra mulher, que para você é tudo aquilo que não sou.
Meu celular volta para cima do armário, olho envergonhada para duas crianças que me observam curiosas e novamente sento-me na cadeira. “Quando penso em você fecho os olhos de saudade... Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa pra correr entre os canteiros e esconder minha tristeza...” Cada palavra cantada é um tiro certeiro em meu peito, eu quero correr, quero ir embora, mas teria que me explicar, então mais uma vez engulo calada e sorrio. Se eu tivesse como, calava a porra do cantor idiota, mas ao invés disso, me levanto e vou dançar. Não percebo que estou sozinha a rodar, mas se percebesse também não faria diferença, meus cabelos voam, minha saia roda, minha alma se liberta e sem pensar me desfaço rápido das sandálias e com os pés no chão torno a rodar, agora não estou mais sozinha. A Lua brilha absoluta, o barulho das ondas do Mar guia meus passos e mais um ano recomeça para mim. Uma vida construída a partir do nada, onde eu tenho todas as oportunidades de ser o que quiser e fazer o que eu puder. Não vou lamentar a crueldade do destino que te jogou nos braços de outra, mas da minha maneira vou trazê-lo para mim. Minha vida, nossa vida começa hoje, no primeiro dia de 2006. Sim, esta é uma carta de amor para você, ainda que eu não saiba o que ela significa, mesmo que você não entenda o que nela está escrito. Esta é a minha carta de amor para você.